Manifesto: por uma internet feminista foi apresentando no Cipó

A profesora Graciela Natansohn palestrou no painel temático “Gênero e Direitos Sexuais e Reprodutivos” realizado pela organização não governamental CIPÓ, no 4 de maio de 2016, apresentando uma versão dos príncipios de internet feminista que representa várias das reflexões atuais do grupo Gig@.

Autoria da foto: leilita78


IRTX Jakarta_Understanding of the Feminist Principles of the internet

Quê é uma internet feminista? Não é uma internet só pra mulheres cis ou que as privilegie; é uma internet que segue nove princípios:

  1. É um espaço que amplia o conceito “mulher” pra mulheres de todo tipo, raça, cor, orientação sexual e identidade de gênero, mulheres cis, trans, travestis e que não seja normativo em questões de identidade de gênero; é uma internet para a humanidade

  1. Esta atenta ao caráter androcêntrico da ciência e da tecnologia, em todas suas fases (planejamento, desenho, realização, distribuição, usos)

  1. Tem uma compreensão ampla, interseccional e não androcêntrica das brechas (exclusões) digitais de gênero, raça, classe, nacionalidade, crença, etc. e das estratégias para superá-las.

  1. Não é indiferente à misoginia, aos assédios e violências misóginas estruturantes do social, e articula estratégias para a defesa com menor risco (redução de danos digitais);

  1. É um bem comum, é nossa vida, nosso ambiente de trabalho, lazer, amor, amizade, o local onde nos constituímos como sujeitxs, onde nos sentimos segurxs e confortáveis; é um espaço de sororidade interseccional, um local onde fazer redes, poder comunicarmos, ajudarmos, articular e organizarmos;

  1. É um espaço que se preocupa com a segurança e a privacidade dxs participantxs; que evita o vigilantismo e o controle, seja ele de onde vier;

  1. É um espaço regulado, legislado, usado, transformado, reapropriado e discutido por todos, todas e todes; usa e desenvolve softwares livres, abre as “caixas pretas” e estimula às mulheres a criar tecnologias próprias e derrubar os mitos sobre a tecnofobia das mulheres;

  2. É crítica das noções de senso comum e mercadológicas que povoam internet, como “redes sociais”, “computação em nuvem”, “internet das coisas”, “obsolescência programada”;

  3. Acredita na utopia de que outra internet é possível: autônoma, não colonizada pelo comércio, pelo capital nem pelo estado; sustentada pela colaboração e o compartilhamento

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